O nome de António Muchanga voltou às manchetes desta vez, fora do campo político. O antigo deputado da Assembleia da República e actual membro da Assembleia Provincial de Maputo pela Renamo é acusado de ter atropelado uma jovem de 20 anos. Segundo a TTV, que avançou com a notícia, a vítima afirma que Muchanga se encontrava visivelmente embriagado no momento do acidente.

As autoridades ainda não confirmaram oficialmente o estado do condutor. Mas a versão da jovem é clara: quando o carro a atingiu, o homem ao volante não estava em condições de conduzir.

O que aconteceu

De acordo com relatos recolhidos pela TTV, o atropelamento resultou em ferimentos para a vítima, que precisou de assistência médica. Ponto positivo se assim se pode dizer é que Muchanga não abandonou o local após o ocorrido. Porém, fontes próximas da jovem garantem que o antigo parlamentar não tem garantido assistência contínua à vítima desde então.

O que agrava a situação, e levanta questões sérias, é uma alegação adicional: Muchanga terá pedido à vítima que não avançasse com queixa formal junto das autoridades. Se confirmada, esta pressão para travar um processo judicial constitui, por si só, uma conduta grave especialmente vinda de alguém que esteve durante anos a legislar no parlamento do país.

A TTV prometeu mais detalhes nos próximos blocos informativos.

Um histórico que não ajuda

Este incidente acontece num momento particularmente delicado para Muchanga. Em Fevereiro de 2025, o político tomou posse como membro da Assembleia Provincial de Maputo, depois de ter falhado o regresso à Assembleia da República nas eleições gerais de Outubro de 2024. Tanto Muchanga como André Magibire, outro antigo deputado da Renamo, assumiram as novas funções nas assembleias provinciais após não terem conseguido assento no parlamento nacional.

Mas o seu nome não saiu das notícias. O Conselho Jurisdicional da Renamo suspendeu recentemente Muchanga por período indeterminado, alegando que a sua conduta era grave e incompatível com os valores do partido, numa disputa interna que tem exposto as fracturas profundas dentro da Renamo.

O perfil polémico de Muchanga não é novo. Em 2018, o então deputado foi condenado publicamente depois de ter ameaçado em directo televisivo o jornalista Marcelo Mosse, prometendo-lhe violência física. O Conselho Superior da Comunicação Social condenou as declarações. A preocupação foi reforçada pelo contexto da altura, que incluía uma agressão recente a outro jornalista, tornando as palavras do deputado ainda mais graves.

Condução sob efeito de álcool: um problema que mata

Em Moçambique, a sinistralidade rodoviária continua a ser uma das principais causas de morte e de invalidez permanente. A condução sob influência de álcool é um factor recorrente nos acidentes mais graves registados nas estradas do país, sobretudo nos fins de semana e períodos de maior circulação. Quando quem conduz nestas condições é uma figura pública alguém que exerceu funções parlamentares o impacto vai além do acidente em si. É um sinal que não pode ser ignorado pelas autoridades.

O que a lei diz e o que deve acontecer agora

A lei moçambicana prevê responsabilidade criminal para quem conduza sob efeito de substâncias que alterem as capacidades de reacção. Se a vítima formalizar queixa o que é um direito seu, independentemente de qualquer pressão em contrário as autoridades têm obrigação de investigar, recolher provas e, se necessário, responsabilizar o condutor.

Por agora, as autoridades não confirmaram nenhuma diligência concreta. A vítima, ferida, ainda aguarda saber se vai receber o apoio que lhe é devido. E Muchanga, como tem sido hábito, está no centro de uma polémica que ele próprio podia ter evitado.


Informações com base na reportagem da TTV. O caso ainda carece de confirmação oficial por parte das autoridades competentes.